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AS RÁDIOS NO PORTO 1920 – 1970

 

 

 

     A radiodifusão na cidade Invicta começou a dar os primeiros passos cedo. Júlio Silva - futuro proprietário da Ideal Rádio - já em 1918, tinha construído o seu primeiro emissor e feito chamadas aos colegas “senfilistas”. Este é o primeiro caso documentado, obtido através de declarações de Júlio Silva a uma revista da especialidade nos anos 30. Não se sabe se antes de 1918, existiram mais experiências de Telegrafia ou Telefonia Sem Fios na cidade do Porto ou se, até à segunda metade dos anos de 1920, existiram tentativas de radiodifusão.

    Em 1926, aparece a primeira estação emissora de radiodifusão sonora do Porto, pela mão de António Rodrigues, que fundou a Rádio Porto - uma casa comercial de aparelhos eléctricos e que acabaria por montar um posto emissor.

    Vários postos de radiodifusão foram aparecendo e desaparecendo na cidade Invicta, a maior parte deles pertencendo a casas que vendiam aparelhos eléctricos, nomeadamente receptores de rádio. Existiam também muitos radioamadores, mas a maioria dedicava-se à Telegrafia Sem Fios ou Radiofonia, poucos faziam experiencias de radiodifusão com emissões de música e palavra, como os postos comerciais.

    As estações dividiam entre si uma só frequência emitindo em dias e horários diferentes. Até finais dos anos 30, apenas a Sonora Rádio emitiria numa frequência diferente dos restantes postos, pois retransmitia a Emissora Nacional.

    Só em 1939, aparece a primeira estação emissora que não estava ligado ao comércio: o Portuense Rádio Clube. A década de 40, veria aparecer então mais rádio clubes.

    Durante a Segunda Guerra Mundial, as emissoras foram obrigadas a centralizarem-se numa só, dividindo entre si – rotativamente - o horário de emissão. A escolha da estação centralizadora recaiu sobre o Portuense Rádio Clube, pois era a estação que melhores condições tinha na altura. Esta associação só terminaria nos anos 50, dando lugar depois aos Emissores do Norte Reunidos - mas só com cinco estações centralizadas, pois já tinham desaparecido a Sonora Rádio, o Portuense Rádio Clube, a Rádio Clube Lusitânia.A Invicta Rádio (Rádio Clube Invicta) tinha dado lugar ao Rádio Clube do Norte.

    Quando se iniciou a segunda metade do século XX, o Porto tinha emissores e estúdios, na cidade, do Rádio Clube Português, dos Emissores do Norte Reunidos, da Rádio Renascença e do Emissor Regional do Norte da Emissora Nacional. Tudo em Onda Média. A Frequência Modulada só chegaria ao Porto nos anos 60. A partir de 1930, já não seria possível aos radioamadores fazerem estações emissoras comerciais sem uma licença profissional.

    As estações profissionais eram obrigadas a identificarem-se, a partir de 1930, com o indicativo oficial “CS1(...)”, enquanto os postos amadores tinham como prefixo “CT1(...)”. Em 1937, com nova legislação, os indicativos sofrem alterações e aos emissores de Ondas Curtas é atribuído o indicativo “CS2W(...)”, seguido de uma letra que identificava o posto.  Em Onda Média, às estações do Porto são atribuídos indicativos “CS2X(...)”,seguido da letra identificativa da estação. No inicio dos anos 50, com uma nova legislação sobre a radiodifusão, os amadores continuariam com o prefixo “C T ...” e as estações emissoras profissionais passaram a ter como indicativo oficial  “C S B ...”, seguido de um numero que identificava a estação emissora de radiodifusão sonora.

 

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PUBLICAÇÕES DO PORTO SOBRE RÁDIO

(A)

 

 

    O «Indicador da Rádio» era uma revista gratuita, impressa no Porto, e oferecida em vários estabelecimentos comerciais.

    O exemplar ao lado data de Janeiro de 1947, e foi oferecido pela “A Villarinha, Ld.ª” – uma casa de móveis da Rua de Cedofeita, no Porto.

(A)

   

    A «Lista de Estações Philips» também era oferecida pelas casas comerciais.

    Impresso pela Bertrand, em Lisboa, em 1938, trazia uma descrição das estações emissoras de todo o mundo equipadas com aparelhos Philips.

    Este exemplar tem na capa um auto-colante da estação portuense Ideal Rádio, mas os carimbos no interior atestam que foi oferecida pela casa Isaías Mendonça Abreu, do Porto.

 

(B)

 

 

A “Electra – quinzenário de electricidade e radiotecnia” é a primeira revista dedicada à rádio publicada no Porto. Sob a direcção de Manuel Henrique Varejão (CT1FK) surge em Setembro de 1934 e termina em Outubro de 1935. São editados apenas 18 números, existindo alguma irregularidade nas últimas publicações. Esta revista descreveu em pormenor as estações emissoras do Porto e as suas actividades.

 

(B)

Em Outubro de 1936, aparece a segunda revista editada no Porto. A “Antena – revista mensal de T.S.F.” tem como director e editor Manuel Henrique Varejão. A revista trazia artigos técnicos, críticas às emissoras de Lisboa, um dicionário de rádio e a televisão já era assunto abordado nas suas páginas. Entre Outubro de 1939 e Março de 1940 a “Antena” viu interrompida a sua publicação devido à II Guerra Mundial. Terminou a sua publicação em Dezembro de 1947.

        De destacar, ainda, a “Agenda do Radiófilo”, editada em Vila Nova de Gaia, em 1937.

 

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RÁDIO PORTO

(Extracto do texto publicado na “QSP – Revista de Rádio e Comunicações”, de Fevereiro de 2010)

 

Fundadores: António Rodrigues

Ano da Fundação: 1926

Fecho: 1975

Morada: R. dos Clérigos, 64 - 68

Frequência: 240 m (1930)

Potência: 12 W (1926) 500 W (1935)

Indicativo Oficial: P.R.P. 1 (1926), CS1 RP (1930), CS2 XF (1937)

 

    A “Rádio Porto” iniciou as experiencias em Janeiro de 1926, com um pequeno emissor. As primeiras transmissões eram efectuadas desde a casa particular de um gerente da empresa “Sociedade Produtos Industriais, Ldª” (mais tarde A. Sousa & Rodrigues). O indicativo de chamada era “Daqui SPIL - Rádio Porto”.  Seis meses mais tarde, a “Rádio Porto” montava estúdios na Rua de Cedofeita 293, fazendo experiências com um emissor de apenas 12 watts e tendo como primeiro locutor António Teixeira Laranjeira. A inauguração oficial deu-se a 14 de Outubro de 1927, com a presença do Coronel Craveiro Lopes - Governador Civil do Porto, representantes do Bispo do Porto, da Junta Geral do Distrito, da Câmara, da Universidade, da Imprensa, etc.. Todas estas entidades proferiram palavras de incentivo a um projecto que consideravam educador e recreativo. À “Rádio Porto” foi-lhe concedido o indicativo “P.R.P 1” e desde o dia da sua inauguração emitiu diariamente. Segundo a revista “Radio Sciencia- uma publicação especializada da altura - este foi o primeiro posto a funcionar em Portugal com emissões regulares e estúdios próprios.

    Foram vários os projectos culturais que passaram pelos microfones da “Rádio Porto”. Em Janeiro de 1928, a “Rádio Porto” realizou um sarau de arte nos seus estúdios, com a Companhia Amélia Rey Colaço - Robles Monteiro. Em Fevereiro desse ano, transmitiu uma peça teatral com uma companhia do Teatro Águia Douro. Em Maio, pela primeira vez, retransmitiu, em directo, uma peça desde o Teatro S. João. De sucesso em sucesso, a “Rádio Porto” entrou em silêncio no Outono de 1929, para proceder à instalação de um emissor de 100 watts, que inaugurou em Janeiro de 1930. Também nesse ano foi-lhe atribuído o indicativo oficial CS1RP.

    Em 1932, o compositor e folclorista Armando Leça passou a exercer o cargo de director artístico da estação. Com esta nomeação a “Rádio Porto” diversificou a música - desde a clássica à ligeira. Em 1935, a “Rádio Porto” mudou as instalações para a Rua dos Clérigos, 64 – 68, possuindo já um emissor de 500 watts. Com emissões de pronunciado ênfase cultural, a “Rádio Porto” dava bastante atenção às artes e letras, tendo passando pelos seus microfones ilustres personalidades da cidade Invicta: Mendes Correia, Leonardo Coimbra, Antero de Figueiredo, Campos Monteiro, Aarão de Lacerda, cónego Correia Pinto, Conde de Aurora, os professores Luís Costa, Freitas Gonçalves e os escritores Aurora Jardim Aranha e Hugo Rocha. Esta estação realizou várias consagrações de músicos portuenses como Ciríaco Cardoso; Manuel Bragança; Moreira de Sá; Óscar da Silva; António Tomás de Lima e Pedro Blanc. A locução na Rádio Porto continuava a cargo de António Laranjeira, o mais antigo locutor da emissora, e de João Rocha, chefe de vendas da loja que suportava o Posto emissor. A Rádio Porto foi pioneira nas emissões infantis quando, em 1932, iniciou um programa semanal dedicado à infância sob a direcção de Alexandrina Reynaud. Em 1938, estas emissões passaram a ser orientadas pelo semanário infantil “O Papagaio”.

    Com o surgir de vários outros postos portuenses (Sonora Rádio, ORSEC, Ideal Rádio, Branco & Irmão, Casa Forte, Invicta Rádio, Posto Emissor Electromecânico, Rádio Gaia, Rádio Clube Lusitânia e Portuense Rádio Clube), as estações emissoras passaram a dividir entre si uma só frequência, emitindo em dias e horários diferentes. Em 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial, as rádios foram obrigadas a centralizarem-se numa só. A escolha do posto centralizador era da competência dos serviços radioeléctricos. Devido às excelentes instalações que possuía e por ser a mais moderna das estações do Porto, o Portuense Rádio Clube foi a emissora escolhida. Todos os postos de radiodifusão ficaram com os emissores selados, pelo que só podiam transmitir, rotativamente, com o emissor da estação centralizadora. Esta associação obrigatória só terminaria no final da década de 1940. Com o fim do decreto que obrigava à centralização, as outras estações prepararam-se para emitir autonomamente, como já acontecia antes de 1939. A separação dos postos e o reatar das emissões não foi, no entanto, livre de dificuldades. Problemas financeiros e técnicos colocaram entraves a uma normalização das emissões tendo, inclusive, levado à extinção de várias estações. Também a “Rádio Porto” sentiu dificuldades, mas regressou ao éter após um curto interregno nas emissões após a descentralização.

    Dadas as boas relações existentes entre as estações portuenses, cinco das oito estações centralizadas criaram a “Sociedade Emissores do Norte Reunidos, Ldª.”, em Fevereiro de 1953. A esta nova emissora foi-lhe atribuído o indicativo oficial “CSB 5”. As rádios emitiam pela mesma frequência em Onda Média, em espaços de 3 ou 4 horas rotativamente. O emissor estava situado no Canidelo, Vila Nova de Gaia e os estúdios na Rua da Alegria.  “Os Emissores do Norte Reunidos foram vendidos à Emissora Nacional nos anos 70. Cada associado recebeu três mil contos. A Rádio Porto – o estabelecimento comercial que suportava a emissora – encerrou pouco tempo depois.

 

 

Estúdio e emissor da “Rádio Porto” (B)

 

A Rádio Porto na Rua dos Clérigos, em finais dos anos 30. (A)

 

 (A)        (B)

 

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SONORA RÁDIO

(Parte do texto e imagens da “QSP – Revista de Rádio e Comunicações”, de Junho de 2010)

 

Fundadores: Agostinho, Antero e José Alberto Calheiros Lobo

Ano da Fundação: 1 de Maio de 1930

Fecho: Junho de 1943

Morada: Rua Sá da Bandeira, 249

Frequência: 207 m (1930), 207 m (1931), 212,6 m - 1411 kHz (A partir de 21 de Junho de 1935)

Potência: 180 w (1930) 1 kW (1931)

Indicativo Oficial: CS1 SR (1930) CS2 XA (1937)

 

A “CS1SR – Sonora Rádio” foi o segundo posto emissor de radiodifusão do Porto, tendo surgiu em Maio de 1930. Os mentores deste projecto foram os irmãos Calheiros Lobo, que queriam dotar a cidade com uma verdadeira estação de radiodifusão.

Situada, inicialmente, na rua 31 de Janeiro 190 (em 1930), à “Sonora Rádio” foi atribuído o indicativo CS1SR, tendo a “Administração Geral dos Correios e Telégrafos” autorizado, a 24 de Junho de 1930, o horário de emissão. Durante algum tempo a estação apresentava-se aos ouvintes apenas como “Posto Experimental Sonora Rádio” e as emissões, efectuadas inicialmente no comprimento de onda de 204 metros, consistiam na execução de música gravada, notícias e programas para a infância.

A “Sonora Rádio” rapidamente foi considerada uma das melhores estações do país, sendo, mesmo equiparada à CT1AA. A verdade é que o sucesso era grande e a necessidade de novas instalações acabou por ditar transferência do estabelecimento comercial e do posto emissor, em 1932, para a Rua Sá da Bandeira 249. Nesta novas instalações foi montado um novo emissor, construído nas oficinas da “Sonora Rádio” e apresentado na 1.ª Exposição Internacional da Luz e do Som, que se realizou no Porto, no Palácio de Cristal.

    PODE LER MAIS SOBRE A “SONORA RÁDIO” NA EDIÇÃO DE JUNHO DA “QSP – REVISTA DE RÁDIO E COMUNICAÇÕES”

 

 

    

Agostinho, Antero e José Alberto Calheiros Lobo (B)

(A)    (B)     (B)

(B)

 

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IDEAL RÁDIO

 

Fundadores: Júlio Augusto Silva (CT1 EO) e José Santos Martins (CT1 FR)

Ano da Fundação: 1931

Fecho: 1975

Morada: Rua Alferes Malheiro, 147

Frequência: 212,6 m (1930), 201,2 m (1935), 202,9 m (1937)

Potência: 500 W (1935)

Indicativo Oficial: CS1 IR (1931), CS2 XE (1937)

    

    A Ideal Rádio era uma casa comercial que vendia aparelhos de rádio desde 1926, mas o seu proprietário - Júlio Silva - já em 1918, tinha construído um emissor e feito chamadas aos “senfilistas”.

    A “Ideal Rádio” teve instalações na Rua Formosa, 353 – 1º. (21 de Dezembro de 1935), tendo sido a primeira localização do posto emissor.

    A emissora era acusada de “Popularucha”, devido ao tipo de música que passava. Júlio Silva considerava que “No Porto não se morre de amores pelo fado” pelo que era avesso a esse género de música na sua estação, preferindo o folclore e música popular portuguesa alegre.

     “Não será ideal tudo o que a Ideal Rádio vende?” Este slogan ficou no ouvido de muita gente.

    A Ideal rádio chegou a realizar um programa no coliseu do Porto: o “Comboio Foguete”, que era transmitido pela rádio. Nos anos setenta por aqui também passou o programa “A Voz dos Ridículos”.

    A Ideal Rádio foi um dos fundadores dos Emissores do Norte Reunidos.

 

 

 (A)

Programação da Ideal Rádio no «Indicador da Rádio» de 1947

 

 

 

 

 

(B)

 

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O.R.S.E.C.

Oficinas de Rádio, Som, Electricidade e Cinema

 

Fundadores: Abílio, Manuel, António, Francisco e Jorge Oliveira.

Ano da Fundação: 1931

Fecho: 1975

Morada: Rua dos Caldeireiros, 113 (1922), Rua de Santa Catarina, 130 1º. (estúdios em 1935), Rua de Cedofeita, 452 (1937), Rua Fernandes Tomás, 666 (1950, como S.E.R.L.)

Frequência: 212,6 m (1931). 222,6 m (1935)

Potência: 100 W (1935)

Indicativo Oficial: CS2 XJ (1937)

 

          A casa comercial ficava na Rua dos Caldeireiros, desde 1922, o posto emissor foi montado nos anos 30, na Rua dos Caldeireiros. Em 1935, o posto emissor passou para o 1.º andar de um prédio na Rua de Santa Catarina. A casa comercial mudou em 1937, para a Rua de Cedofeita, 452, esta mudança é devida a uma separação dos irmãos Oliveira. A oficina da Rua dos Caldeireiros continuou nas mãos de Abílio Oliveira como Radioeléctrica. A Rádio ORSEC montou, em 1947, uma oficina de venda e reparação de aparelhos eléctricos, com o nome de S.E.R.L. – Serviços Especializados de Rádio, Limitada, situado na rua Santos Pousada, 113.

Anos mais tarde esta oficina passou para a Rua Fernandes Tomás, 666, mesmo em frente ao mercado do Bolhão, onde foi montado um pequeno estúdio de rádio.

    A O.R.S.E.C. montou um cinema sonoro em Amarante e chegou inclusive a tentar montar uma estação de televisão nos anos 30. Este projecto pioneiro foi abandonado por dificuldades financeiras, agravadas com a proibição de publicidade na rádio.

A programação da ORSEC primava pela sobriedade que imprimia às suas emissões, sem no entanto se assumir como uma estação intelectual. Este posto chegou também a auxiliar as corporações humanitárias e instituições de caridade da cidade do Porto.

    Para manter a qualidade das suas emissões a ORSEC era exigente nos seus concursos para candidatos a locutores: Leituras em português, francês e inglês, simulação de entrevista, apresentação de um programa musical e simulação de reportagem em directo.

    Os estúdios da Rua Fernandes Tomás eram na cave do edifício. Este estúdio era pequeno, auto-operado e equipado com dois gira-discos, dois gravadores para leitura de bobines de publicidade, um microfone e mesa de mistura.

    Esta emissora foi uma das que deu origem, nos anos 50, aos Emissores do Norte Reunidos.

    Pela Rádio ORSEC passou gente ilustre como a poetiza Elisa de Carvalho, Eugénio Alcoforado e António Jorge Branco.  

   

 (A)

Programação da O.R.S.E.C. no «Indicador da Rádio» de 1947   

(A)

(B)

(B)

 

 

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RÁDIO BRANCO & IRMÃO

 

Fundadores: Humberto, José e Orlando Moreira Branco

Ano da Fundação: 1932

Fecho: Abril de 1938

Morada: Rua de Santo Ildefonso, 86 – 88

Frequência: 280 m (1933), 222,6 m (1935), 202,9 m (1937)

Potência: 100 W (1933); 150 W (1935)

Indicativo Oficial: CS1BI (1932) / CS2XD (1937)

 

    A casa Branco & Irmão dedicava-se à comercialização de aparelhos de rádio e à reparação de aparelhos eléctricos. A emissora foi montada por Jorge Guedes - um rádio técnico que na altura era considerado dos melhores do país - e gerida pelos irmãos Branco.

    A Rádio Branco & Irmão tentava satisfazer os mais variados gostos musicais: música clássica, ligeira, popular e de dança faziam parte do seu repertório.

    Pelos seus microfones passaram personalidades de destaque nos meios desportivos, das ciências, artes e letras. Com isto a emissora tentava contribuir para o desenvolvimento da cultura popular no Norte.

    Este posto emissor dedicou-se também a um sem número de iniciativas favoráveis às corporações humanitárias. Por altura do Natal os donativos eram entregues às casas de caridade portuenses.

    Os irmãos Branco foram homenageados, como prova do reconhecimento dos portuenses, num banquete servido no Hotel Sul-americano ao qual assistiram mais de cem personalidades da Invicta.

    A casa Branco & Irmão fechou inesperadamente em 1938, por alegadas irregularidades.

    Segundo um boato corrente na altura a casa Branco & Irmão fechou porque estavam com dificuldades financeiras e tinham usado o dinheiro recolhido para os pobres para pagarem as dívidas.

 

(B)

Neste anuncio o indicativo está com um erro, pois indica CT1BI, mas a emissora detinha o código CS1BI

 

 

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INVICTA RÁDIO - RÁDIO CLUBE INVICTA

 

Fundadores: Henrique Guilherme Aguiar

Ano da Fundação: 1932

Fecho: 1947

Morada: Rua de Santa Catarina, 304 - 308

Frequência: 212,6 m (1932), 201,2 m (1935), 202,9 m (1937)

Potência: 50 W (1932), 250 W (1935), 600 W (1940)

Indicativo oficial: CS2 XB (1937)

 

    Henrique Guilherme Aguiar era o representante em Portugal da americana Westinghouse, a proprietária da primeira emissora comercial do mundo, vendendo os rádios e outro material desta marca.

    A Invicta Rádio apostava na sobriedade musical com muita música ligeira mas com um mínimo de qualidade.

Henrique Aguiar chegou a fazer experiências em Onda Curta, emitindo em 50 m, sendo referenciado pela revista norte-americana Radio News, no número de Novembro de 1935.

    Por esta emissora passaram Bento Carqueja - fundador do jornal “O Comercio do Porto” - Leonardo Coimbra, Joaquim Costa, Antero de Figueiredo, Teixeira de Pascoaes e o professor e concertista de piano Eurico Tomás de Lima.

    Nascida em pleno período de lançamento do Estado Novo esta estação transmitia a propaganda da nova ordem, foi por isso considerada a emissora oficiosa da “Exposição Colonial do Porto” em 1934. A estação transmitiu todas as palestras do capitão Henrique Galvão e de outras figuras ligadas ao regime - muitas delas em Castelhano e destinadas a Espanha. Henrique Galvão, nos anos 30, ainda estava longe dos ideais que o levariam nos anos 60, a desviar o paquete “Santa Maria”.

    Este posto emissor associou-se ao jornal “O Século” para a transmissão de relatos de futebol de jogos disputados em Portugal e em Espanha. 

Esta estação emissora ainda ajudou a recolher fundos para as várias instituições de caridade e corporações humanitárias existentes no Porto. A cifra global rondou os 200 000$00 – muito dinheiro naquela altura.

    Na década de 40, a Invicta Rádio, deu lugar à Rádio Clube Invicta e com o encerramento desta emissora, o Rádio Clube do Norte ficou com o indicativo que lhe pertencia, assim como com as horas de emissão nos emissores centralizados.

   

(B)

Henrique Guilherme Aguiar e esposa (4)

   

 

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RÁDIO CLUBE DO NORTE

 

Fundadores: Adolfo Quaresma e Américo Ferreira Adrião

Ano da Fundação: 1947

Fecho: 1975

Morada: Rua Duque de Loulé, 85, 1.º

Frequência:

Potência:

Indicativo oficial: CS2 XB

 

        A Rádio Clube do Norte era uma ideia que já vinha desde que o Rádio Clube do Porto tinha deixado de existir. A vontade de criar um posto emissor comparável ao RCP era o sonho dos radiófilos do Porto. Este sonho acabou por ser concretizado em 1947, quando Adolfo Quaresma e Américo Ferreira Adrião tomaram conta do posto emissor pertença da Rádio Clube Invicta.

    Este foi um dos postos fundadores dos Emissores do Norte Reunidos em 1953.

(A)

Programação da Rádio Clube do Norte no «Indicador da Rádio» de 1947

 

 

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POSTO EMISSOR ELECTROMECÂNICO

 

Fundadores: Manuel Moreira

Ano da Fundação: 1933

Fecho: 1975

Morada: Rua Alexandre Herculano, 366

Frequência: 222,6 m (1935), 209,9 m (1937)

Potência:

Indicativo Oficial: CS1 EM (1933), CS2 XK (1937)

 

    Este era um posto que dava preferência à “Canção Nacional”, muito “por culpa” do seu director artístico - Capitão Almeida Russo - que realizou em Setembro de 1937, uma palestra exaltando o fado e associando-o a todos os fastos da nacionalidade. Muitos contemporâneos da palestra acharam que esta se deveu a uma inspiração lírica espontânea, mas não deixaram de sublinhar a discutibilidade das suas conclusões.

    Esta emissora foi montada em Agosto de 1933, por Manuel Moreira e pelo técnico Bracarense Santos da Cunha, a abertura oficial deu-se a 14 do mesmo mês.

    Era diversificada a programação do Electromecânico, notícias às terças-feiras pelo jornalista Luís Costa, que também falava de cinema, teatro, desporto e turismo. Foi ainda criado um programa para crianças, feito por crianças: a “Hora Infantil”.

    O programa mais curioso era a “Meia hora estrangeira”. Inaugurado a 10 de Agosto de 1938, todas as semanas era convidado da estação um dos cônsules residentes no Porto. Durante 30 minutos faziam uma alocução na sua língua natal dirigida à respectiva colónia. Seguia-se um programa sobre assuntos do país a que se referia a alocução.

    Em finais dos anos 50, começou a ser emitido neste posto um dos mais famosos programas de rádio de sempre: “Festival”. Este programa da autoria de Fernando Gonçalves era gravado no cinema Vale Formoso (anos mais tarde passou para o Teatro Sá da Bandeira) aos Domingos de Manhã pelos técnicos de som António Miranda e José Manuel Miranda e Jorge José da Silva. Era transmitido no domingo seguinte à mesma hora. A apresentação estava a cargo de Fernando Gonçalves e Maria de Laferia, substituída mais tarde por Natália Maria.

 

(A)

Programação do Electro-Mecânico no «Indicador da Rádio» de 1947

 

(A)

 

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RÁDIO CASA FORTE

 

Fundadores: José Forte

Ano da Fundação: 1934

Fecho: Janeiro de 1938

Morada: Rua de Sá da Bandeira, 281

Frequência: 212,6 m (1934), 201,2 m (1935), 209,9 m (1937)

Potência: 250 W (1935) 600 W (1937)

Indicativo Oficial: CS1 CF (1934) CS2 XC (1937)

 

 

 

    A Casa Forte Bazar, S.A.R.L. vendia, entre outras coisas, receptores de rádio, pelo que a emissora foi um impulso de José Forte para tentar melhorar a oferta de emissões em português e incentivar à compra de aparelhos.  A Casa Forte possuiu durante algum tempo instalações na Rua de Santa Catarina, 20, mas acabariam por ser encerradas.

    O espaço comercial da Casa Forte, situado na Rua de Sá da Bandeira, encerrou em 2004.

(B)

(A)

 

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RÁDIO GAIA

Fundador: Guilherme Vasconcelos

Ano da Fundação: 1934

Fecho: 1936

Morada: Praça da Batalha, 37 – 1º.

Frequência: 222,6 m (A partir de 21 de Junho de 1935)

Potência:

Indicativo Oficial: CS1 RG

    Eram locutores deste posto Alberto Alves e Guilherme Vasconcelos. Este posto emissor estava montado em Vila Nova de Gaia, mas foi montada outra oficina e emissores na cidade do Porto num edifício entre os cinemas Águia D’Ouro e Batalha.

    Começou como casa comercial que vendia receptores e outro material de T.S.F., além de ter uma oficina de bobinagem e reparação de equipamento eléctrico.

    Existe referência a uma “Rádio Baia” num periódico de 1934, mas foi focado como tendo uma emissão regular de música ligeira. Crê-se, no entanto, que se trata de um erro tipográfico, estando o anúncio a referir-se à Rádio Gaia.

(B)

 

 

 

 

Edifício da Rádio Gaia em 1935 (3)

 

 

 

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RÁDIO CLUBE LUSITÂNIA

 

Fundador:

Ano da Fundação: Dezembro de 1938

Fecho: 15 de Novembro de 1945

Morada: Alameda do Bonfim, 83

Frequência: 201.1 m (1943)

Potência:

Indicativo oficial: CS2 XO

   

    O encerramento da emissora foi anunciado num pequeno espaço na coluna de T.S.F. do jornal “O Comércio do Porto”:

«Rádio Clube Lusitânia

Comunica-nos o director de Rádio Clube Lusitânia, que esta estação emissora, há muito ao serviço dos ideais democráticos, foi suspensa por tempo indeterminado». Nunca mais regressou ao éter.

 

 

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GRÉMIO CENTRALIZADO DAS CASAS COMERCIAIS

 

Fundadores:

Ano da Fundação: 1948?

Fecho:

Morada:

Frequência: 201.1 m (1948)

Potência:

Indicativo oficial: CS2 XO

    Uma das suas locutoras era Elisa de Carvalho, uma ex-locutora do posto emissor da Assistência aos Tuberculosos do Norte de Portugal.

    Este posto ficou com o indicativo e horário ocupado pela Rádio Clube Lusitânia.

 

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ESTAÇÃO DE RÁDIO DA ASSISTÊNCIA AOS TUBERCULOSOS DO NORTE DE PORTUGAL

 

Fundadores: Assistência aos Tuberculosos do Norte de Portugal

Ano da Fundação: Janeiro de 1948

Fecho:

Morada: Rua de Cedofeita

Frequência:

Potência:

Indicativo Oficial:

 

A Assistência aos Tuberculosos do Norte de Portugal teve autorização para emitir em Janeiro de 1948, tendo as emissoras centralizadas do Porto cedido meia-hora cada do seu tempo de emissão, para que a ATNP tivesse espaço de emissão.

    Elisa de Carvalho, que trabalhou no Grémio Centralizado das Casas Comerciais, era uma das locutoras.

 

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PORTUENSE RÁDIO CLUBE

 (Extracto do texto publicado na “QSP – Revista de Rádio e Comunicações”, de Maio de 2009)

 

Fundadores: Capitão Rogério Marques de Almeida Russo e mais 50 personalidades do Porto

Ano da Fundação: 27 de Maio de 1937

Fecho: 1954

Morada: Avenida de Rodrigues de Freitas, 374

Frequência: 222,8 m (1939), 201,1 m (1943)

Potência: 5 kW

Indicativo Oficial: CS2 XL (1939)

 

    A 27 de Maio de 1937, um grupo de quase meia centena de pessoas fundaram a Associação Cultural e de Recreio “Portuense Rádio Clube”, cuja sede ficou situada, provisoriamente, na Rua de Santo Ildefonso, 14-1º. O Portuense Rádio Clube foi uma estação que saiu dos moldes das rádios de então, já que era um clube - com associados e outras actividades para além da rádio. O principal mentor do projecto foi o Capitão Rogério Marques de Almeida Russo, um militar que já tinha sido director artístico do Posto Emissor Electromecânico.

A primeira emissão do Portuense Rádio Clube teve lugar a 20 de Novembro de 1938, em instalações situadas na Rua Sá da Bandeira 339-1º, no Porto. Mais tarde mudou-se para a Rua de Entreparedes 3 - 2º e por fim, a 01 de Maio de 1939, para a Av. Rodrigues de Freitas 374. Nestas instalações passou a utilizar um emissor de 5 KW, que tinha sido adquirido a Abílio Gomes, proprietário da “Rádio Sanjoanense”.

Com o início da II Guerra Mundial, é publicado o decreto-lei n.º 29 937, que suspende o funcionamento de todas as estações emissoras particulares. O mesmo diploma previa a concessão de autorizações especiais. O Rádio Clube Português e a Rádio Renascença e outras emissoras profissionais foram autorizados a emitir, após um requerimento de funcionamento. Os postos amadores tiveram de encerrar.

Das várias estações que continuaram “no ar”, um triunvirato tinha relações privilegiadas com o Estado Novo: a Emissora Nacional, que era controlada pelo governo; o Rádio Clube Português, dirigido por Jorge Botelho Moniz e que estava intimamente ligado ao regime; e a Rádio Renascença que, pertencendo à igreja católica, estava parcialmente controlada pois existia uma relação de proximidade entre a igreja católica e o Estado português. As estações mais pequenas foram obrigadas a centralizarem-se num único posto, em cada cidade.

A escolha do posto centralizador era da competência dos serviços radioeléctricos. Devido às excelentes instalações que possuía, o Portuense Rádio Clube foi a estação escolhida. Todos os postos de radiodifusão ficaram com os emissores selados, pelo que só podiam transmitir, rotativamente, desde os estúdios da estação centralizadora.

As emissões eram divididas entre “Portuense Rádio Clube” (CS2 XL), Sonora Rádio (CS2XA), “Rádio Clube Lusitânia” (CS2 XO), “Ideal Rádio” (CS2XE), “Invicta Rádio”, que se tornaria na “Rádio Club Invicta” e, em 1947, “Rádio Club do Norte” (CS2XB), ORSEC (CS2XJ), “Posto Emissor Electromecânico” (CS2XK), e Rádio Porto (CS2XF). A centralização das estações de radiodifusão manteve-se até inícios da década de 1950.

Dadas as condições técnicas do Portuense Rádio Clube, muitos artistas escolhiam os seus estúdios para a gravação de discos. António Correia, tesoureiro e técnico de som do Portuense Rádio Clube, gravou em disco a voz de Amália Rodrigues e de Maria Clara. Um concurso de novos talentos da estação viria a revelar uma jovem então com apenas 10 anos: Maria Amélia Canossa. A estação também promovia inúmeras iniciativas culturais e recreativas. A 12 de Junho de 1946, realizou-se a “Festa da Rádio”, no Coliseu do Porto. José António, Irmãs Meireles, Maria Gabriela e Maria da Graça foram os artistas presentes. Ainda em 1946, foram editados 5 boletins que relatavam as actividades do clube.

 O Portuense Rádio Clube teve como locutores, entre outros, Fernando Gonçalves (que mais tarde haveria de produzir o programa «Festival» no emissor electromecânico), Carlos Silva e Humberto Branco. No rádio teatro emitido por esta estação destacou-se o actor Monte Empina. O director de produção era Manuel Correia de Brito. Foi no Portuense Rádio Clube que nasceu, a 17 de Abril de 1945, “A Voz dos Ridículos”. João Manuel foi o mentor do programa que é “património mundial da hilaridade”, pois é, muito provavelmente, o mais antigo programa radiofónico do mundo que ainda vai para o ar. Pode ser escutado, aos domingos, na Rádio Festival – uma rádio local da cidade do Porto. Também o xadrez teve o seu espaço na emissora. O “Grupo de Xadrez do Porto”, na altura presidido por Adelino Ribeiro, passou a ter regularmente um espaço dedicado ao jogo do xadrez.

Após o término da obrigatoriedade da centralização de emissoras, o Portuense Rádio Clube foi autorizado a emitir com um emissor próprio e com o indicativo “CSB6”. Esta autorização foi dada pelos Serviços Radioeléctricos, então dirigidos pelo Engenheiro Amaro Vieira, mas implicava a substituição do antigo emissor por um mais potente.

Com o fim do decreto que obrigava à centralização, as outras estações prepararam-se para emitir autonomamente, como já acontecia antes de 1939. A separação dos postos e o reatar das emissões não foi, no entanto, livre de dificuldades. Problemas financeiros e técnicos colocaram entraves a uma normalização das emissões tendo, inclusive, levado à extinção da “Rádio Clube Lusitânia”. 

As dificuldades sentidas impulsionaram uma nova agremiação radiofónica. Em Fevereiro de 1953, foi constituída a “Sociedade Emissores do Norte Reunidos, Ldª.” que teve como associados a Rádio Porto, Ldª.; ORSEC, Ldª.; Manuel Moreira & Cia. Ldª. (Posto Emissor Electromecânico); Ideal Rádio, Ldª.; e Sá, Quaresma & Cia. Ldª. (Rádio Clube do Norte).

Em 1954, foi retirada a licença ao PRC, tendo este deixado de emitir.

 

 

 

 

(A)

Programação do Portuense Rádio Clube no «Indicador da Rádio» de 1947

     

 

 

Um agradecimento muito especial ao Sr. António Correia, técnico de som, tesoureiro  e dirigente do Portuense Rádio Clube, pelas informações gentilmente cedidas sobre o PRC.

 

 

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EMISSORES DO NORTE REUNIDOS

 

Fundadores: Rádio Porto, Ideal Rádio, Posto Electromecânico, Rádio Clube do Norte, Rádio O.R.S.E.C..

Ano da Fundação: 1953

Fecho: 1975

Morada: Rua de D. João IV, 960

Frequência: 1578 Khz

Potência: 10 Kw

Indicativo Oficial: CSB 5

 

 

    Em Fevereiro de 1953, constituiu-se no Porto a “Sociedade Emissores do Norte Reunidos, Ldª.” que teve como associados a Rádio Porto, Ldª.; ORSEC, Ldª.; Manuel Moreira & Cia. Ldª.; Ideal Rádio, Ldª. E Sá, Quaresma & Cia. Ldª.. Esta sociedade transformou os antigos postos emissores numa espécie de produtores independentes, pois já não tinham emissores próprios, pelo que perderam o código de chamada.

    As rádios emitiam pela mesma frequência em Onda Média, em espaços de 3 ou 4 horas rotativamente. O emissor estava situado no Canidelo, Vila Nova de Gaia.

    Destacavam-se nesta emissora as vozes de Humberto Branco (Rádio Porto), Júlio Silva (Ideal Rádio), Maria Moreira (Electromecânico), Eugénio Alcoforado (ORSEC) e Ernesto Oliveira (Rádio Clube do Norte).

    Pelos E.N.R. ainda passaram nomes como Olga Cardoso, Ilídio Inácio e Alfredo Alvela - uma das vozes ilustres da rádio -e que mudaria mais tarde para o R.C.P. onde faria em 1974, a reportagem da revolução dos cravos em directo entrando para a história como “o repórter da liberdade”.

     Em 1962, todas as estações emissoras fechavam por volta da meia-noite - os “Emissores do Norte Reunidos” também - mas com o aparecimento dos produtores independentes esta situação começaria a mudar.

    A programação dos “Emissores do Norte Reunidos” era ocupada das 00h às 01h por Carlos Silva, um ex-locutor da Rádio Porto, com o programa “Ultima Hora”, que era uma produção independente da sua autoria. Da 01h às 02h outro produtor independente - a “Rádio Record Portuguesa” - levava a efeito as suas emissões.

    A “Rádio Record Portuguesa” era propriedade do Cançonetista António Ferrer, do promotor de espectáculos Domingos Parker e do Locutor Jorge José da Silva.

    No final de 1962, experimentalmente começam as primeiras emissões nas madrugadas de Sexta-feira para Sábado e de Sábado para Domingo das 02 às 05 horas com o programa “Enquanto a noite passa” isto veio preencher o vazio que se sentia durante a noite no Norte de Portugal o locutor do programa era Jorge José da Silva.

    Esta estação foi vendida à Emissora Nacional nos anos 70. Cada associado recebeu três mil contos. Em 1975, passou a chamar-se Rádio Porto e nos anos 80, Rádio Comercial Norte. Foi extinta em 1993, quando a Rádio Comercial foi privatizada e a frequência que ocupava no Porto, em FM, passou a transmitir a Antena 3.

 

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 RÁDIO PROGREDIOR

 

Fundador: António Gasparinho

Ano da Fundação: 1931

Fecho: 1934

Morada: Rua 31 de Janeiro, 157

Frequência: 30 m. (1934)

Potência:

Indicativo oficial: CT1 AV

 

    António Gasparinho, já era radioamador desde 1929, só anos mais tarde - em 1931 - é que começaria com as suas emissões, mas muito irregularmente, em Onda Média.

    Em 1934, a “Rádio Progredior”, emitiu em Onda Curta durante mês e meio, fazendo experiências com em onda extra-curta, conforme era divulgado nos anúncios publicados em revistas:

ATENÇÃO – Estamos fazendo ensaios de emissão de musica em extra-curtas com o indicativo «Rádio-progredior», todas as noites da 20 ½ às 23 ½, menos ao domingo.

As nossas experiências fazem-se actualmente com o comprimento de onda de 30 metros.

 

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RÁDIO CLUBE DO PORTO

 

Ano da Fundação: 1933

Morada Rua Formosa, 353, 1º.

(B)

 

 

    Este foi apenas um clube de radioamadores do Porto. A sua função seria, em princípio, fazer uma estação emissora como o Rádio Clube Português - mas este projecto não saiu do papel.

    Na inauguração a 14 de Julho de 1933, coube ao Dr. João Antunes Guimarães, Ministro do comércio e entusiasta da radiodifusão, o discurso de abertura.

    Este clube desapareceu rapidamente, pois não houve muito interesse por parte dos associados.

    Funcionou nas instalações da “Ideal Rádio”, na Rua Formosa.

 

 

Algumas destas informações são em boa parte memórias de gente ligada à Rádio, nomeadamente Jorge José da Silva e António Jorge Branco, estas ultimas publicadas na revista do museu das comunicações do Porto (Inverno de 2002).

 

(A) Colecção particular de Jorge Guimarães Silva

(B) Arquivo da Biblioteca Pública Municipal do Porto

(1) Fotos de Jorge Guimarães Silva.

(2) Foto publicada na revista “O Tripeiro” de Dezembro de 1983, inserida no artigo “Os primórdios da rádio no Porto”, por Jorge Fiel.

(3) Ampliação de parte de uma fotografia da casa Foto Beleza, publicada no livro “Porto Margens do Tempo” da Livraria Figueirinhas .

(4) Foto cedida gentilmente por Maria da Glória Barros, bisneta de Henrique Guilherme Aguiar

 

Agradeço a Carlos Carvalho pelos elementos sobre o posto emissor da Assistência aos Tuberculosos do Norte de Portugal

 

Esta página existe desde 12 de Julho de 2003

Ultima actualização: 15 de Maio de 2010

 

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